Cárcere0 comentários domingo, 2 de janeiro de 2011Palavras
São apenas palavras. Elas não podem dar o Que apenas o teu amor pode dar. Eu construí meu mundo Em torno delas Fiz com cada som, cada Vocábulo o meu castelo E como um rei preso na torre Da Vida Espero que elas se desmanchem E se esvaziem até o Aniquilamento de tudo o que elas querem dizer. Estou surdo de tanto ouvi-las E perdido por tê-las acompanhado Sozinho porque o que me tange Tem a insuportável música das palavras Irei silenciá-las uma a uma Irei despejá-las do meu coração Colocarei no lugar delas o sal dos dias O suor dos trabalhos As pétalas desbotadas do tempo. Esperarei que esse silêncio de vidro Me cubra por inteiro Com essa pá de cal que tudo Faz germinar sem forma, Sem cor, sem alma. Epitalâmio0 comentáriosAos amigos Diana e Rogério, que hoje dão juntos um grande passo. O amor! Entre todas as coisas pode o amor Ser considerado um objeto obsoleto. Item de antiquário Matéria de arqueólogo. O amor tão desgastado e tão corrompido Diluído em cloro Esbranquiçado Tão afetado Pelo ir e vir e nunca voltar de hoje. O amor tão retratinho De parede... Para ser apreciado de vez em quando Mas só muito de vez em quando! O Amor está morto!? Não, não está... Ele existe e respira e suspira... e inspira... Sobretudo, quando há de se escavar Um amor tão profundo e tão resistente Capaz de vencer o tempo a doença o medo As incertezas. Um amor que se faz de verdades E não de falsas promessas Caminhante em brasas ardentes Sem medo de ferir os pés. Um amor descalço, mas dotado De asas Leve amor Que nos leva sempre e sempre Aos céus. Um AMOR Com letras Maiúsculas em um mundo tão minúsculo. Da Felicidade #10 comentáriosA Felicidade é o que desejamos. Mas não é o que temos. Não possuímos a felicidade. E ela quem se apodera de nós. E vai embora quando sente que é tempo de nos deixar novamente, vazios e incompletos. Sem isso, nunca a desejaríamos de novo. Sem isso, nunca a reconheceríamos. Não vem quando a chamamos. Apenas retorna quando a buscamos, mesmo quando não sabemos, se iremos realmente alcançá-la.
Pesadelo0 comentários
Foi um sonho pela metade, interrompido pelo ruído do despertador. A imagem ainda presente, vaga, mergulhada num nevoeiro de memórias. Quase tão perto, quase tão distante. O coração batendo acelerado, mais partido, feito em mil caquinhos. E você, como uma sombra, se dissolvendo na luz deste dia que rapidamente avançava e que começava sacrílego, a ser tecido em torno de mim. Quis permanecer mais alguns minutos deitado, embarcar em um novo sono, quem sabe reconstituir cada vestígio do sonho mal-acabado e indigesto. “Aonde foi que parei?” “Aonde foi que paramos?” Suas mãos nas minhas costas, o seu peito contra o meu, uma única respiração, um único e abençoado abraço... Mas você, ceifada de repente. Foi o tempo disfarçado de relógio, com a sua grande foice: repartindo-nos em dois, deixando-nos uma profunda cicatriz, sem remédio. Desejei lhe tocar, mas você já era nuvem. Quis lhe beijar, mas você, como água, escorreu pelos meus lábios e eu não pude saciar minha sede. Fiquei ao longe, acordado, enquanto o nosso amor dormia, enquanto você adormecia os meus sentidos e desaparecia numa realidade que nunca foi possível, e num sonho menor que a vida.
Os Argonautas0 comentáriosNão temos tempo a perder. O mundo inteiro gira em torno de nós e as ondas nos empurram rumo às pedras. Não façamos o Amor! Não gastemos cera com futilidades! Que o nosso coração-relógio possa regular cada automatismo do nosso corpo-máquina e suas batidas orquestrar cada movimento das braçadas, das remadas... Icem as velas! Façam a nau correr... E deixem a vida se partir num mar feito de lágrimas, e suor. Do outro lado do Muro0 comentáriosEu gostaria de lhe responder sobre todos os porquês. Mas sinto que não sou capaz. Têm horas que a gente precisa ficar surdo para todas as outras vozes e ouvir apenas a do coração. Talvez ele não seja sábio, às vezes nos atraiçoe com promessas que não serão cumpridas. Mas o que nos cabe é escutar e decidir o que será melhor pra nós. Eu quis lhe ajudar. Deus sabe o quanto tentei! Busquei dentro de mim forças para manter-me ao seu lado nesse momento difícil, me pondo à sua disposição, querendo ser pra você uma espécie de cura e salvação. Não o fui! Não o sou... Esse é um papel que nunca coube a mim. Não posso te ajudar, pois você, mesmo perto, tem se afastado, mesmo longe, tem impedido que eu vá até você, inúmeras vezes. Você se queixa que ninguém a entende. Mas não se é preciso de entendimento para se ser amado. E preciso sentir e deixar-se arrastar. Eu te amei de uma maneira profunda, sem colocar barreiras e querendo derrubar todas as outras que existiam entre nós. A sua maneira de ver a vida, de ver o amor, de senti-los é que não anda muito clara. Você quer obter respostas? Interroga a vida, Deus, as pessoas que estão à sua volta, mas esquece de se perguntar. Esquece que essa é uma resposta que só você tem. Com sinceridade, por um amor (sem querer ser piegas ou ingênuo) eu esperaria por uma vida toda. Mas quero e preciso de um ‘amor’ com ‘A’ maiúsculo, no qual eu possa me atirar e me consumir sem culpas ou medos. Compreendo perfeitamente que é inverno dentro de você. Que talvez não seja momento de insistir, de batalhar, de tentar colher frutos que ainda nem brotaram no pomar. Compreendo que seja necessário esperar pelo momento certo. Sei que um dia você desabrochará outra vez, mais radiante e serena. Confia em ti e confia no teu coração. Tudo na vida é brisa! Um dia passa. Não se atormente, estou do outro lado do muro, ainda que não possa me ver, a minha presença silenciosa caminha contigo.
Da Felicidade #20 comentáriosTalvez seja um tanto patético ficar à mercê do amor. Mas me pergunto se não seria ainda mais patético está à mercê da rotina, do trabalho atribulado, da raiva, da tristeza, do sofrimento que não se desprende da gente nem mesmo com o mais forte detergente da vida? Estou feliz, e por que não deveria mostrar a minha felicidade? Por que não deixá-la transbordar em palavras, gestos, ou sorrisos? Por que não deixá-la cantar? Por que deveria reprimir o que o meu corpo e alma desejam? Por acaso tenho encontrado gente a esconder a felicidade. Um tesouro, uma dádiva suprema, a enterrado como pirata no fundo do peito, para que ninguém a veja, ninguém descubra o seu paradeiro. Há os que preferem mantê-la em silêncio. Temem atrair a inveja, o olho alheio. E num ritual de proteção, metem-na em meio a galhinhos de arruda, patuás, amuletos. Não tenho a intenção de levar a minha alegria para benzer. Ela é frágil, mas me fortalece. É o chão, de onde venho tirando as minhas forças. Não me envergonho, e nem receio ser patético. Esta é a minha maneira de se relacionar com os meus sentimentos. Relevo todas as outras... Afinal, patético mesmo é não ser feliz.
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