Talvez seja um tanto patético ficar à mercê do amor. Mas me pergunto se não seria ainda mais patético está à mercê da rotina, do trabalho atribulado, da raiva, da tristeza, do sofrimento que não se desprende da gente nem mesmo com o mais forte detergente da vida?
Estou feliz, e por que não deveria mostrar a minha felicidade? Por que não deixá-la transbordar em palavras, gestos, ou sorrisos? Por que não deixá-la cantar? Por que deveria reprimir o que o meu corpo e alma desejam?
Por acaso tenho encontrado gente a esconder a felicidade. Um tesouro, uma dádiva suprema, a enterrado como pirata no fundo do peito, para que ninguém a veja, ninguém descubra o seu paradeiro.
Há os que preferem mantê-la em silêncio. Temem atrair a inveja, o olho alheio. E num ritual de proteção, metem-na em meio a galhinhos de arruda, patuás, amuletos.
Não tenho a intenção de levar a minha alegria para benzer. Ela é frágil, mas me fortalece. É o chão, de onde venho tirando as minhas forças.
Não tenho a intenção de levar a minha alegria para benzer. Ela é frágil, mas me fortalece. É o chão, de onde venho tirando as minhas forças.
Não me envergonho, e nem receio ser patético. Esta é a minha maneira de se relacionar com os meus sentimentos. Relevo todas as outras... Afinal, patético mesmo é não ser feliz.

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