“Pétala por pétalaQue o tolo pode colherSem saber que é amor.”(Chico César)
Foi um sonho pela metade, interrompido pelo ruído do despertador. A imagem ainda presente, vaga, mergulhada num nevoeiro de memórias. Quase tão perto, quase tão distante. O coração batendo acelerado, mais partido, feito em mil caquinhos. E você, como uma sombra, se dissolvendo na luz deste dia que rapidamente avançava e que começava sacrílego, a ser tecido em torno de mim.
Quis permanecer mais alguns minutos deitado, embarcar em um novo sono, quem sabe reconstituir cada vestígio do sonho mal-acabado e indigesto. “Aonde foi que parei?” “Aonde foi que paramos?” Suas mãos nas minhas costas, o seu peito contra o meu, uma única respiração, um único e abençoado abraço... Mas você, ceifada de repente. Foi o tempo disfarçado de relógio, com a sua grande foice: repartindo-nos em dois, deixando-nos uma profunda cicatriz, sem remédio.
Desejei lhe tocar, mas você já era nuvem. Quis lhe beijar, mas você, como água, escorreu pelos meus lábios e eu não pude saciar minha sede. Fiquei ao longe, acordado, enquanto o nosso amor dormia, enquanto você adormecia os meus sentidos e desaparecia numa realidade que nunca foi possível, e num sonho menor que a vida.

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