Um em um bilhão

Tenho tentado desesperadamente escrever algo que possa resumir o que sinto por você. Mas não tenho conseguido. Nunca as palavras ficaram tão tortas dentro de mim, encarceradas em um canto escuro qualquer. De todas as minhas dificuldades, esta tem sido a maior limitação, porque embora eu esteja no auge de um sentimento tão retumbante, não consigo me libertar deste silêncio.

Foi assim que descobri que estava realmente amando. Quando descobri que as palavras são insuficientes para descrever o que sinto. Que elas podem expandir o amor ao longo do espaço, mas nunca limitá-lo a uma ilha.

Você e eu somos pessoas improváveis, amantes improváveis que, por algum motivo, estamos juntos; encontrando um no outro razões maiores para um encantamento ainda maior. Insisto em ter paciência e ser tolerante. Esperar para ver... Sei que tropeço de vez em quando. Mas o que seria de todo o amor que digo correr nas veias, se desistisse facilmente e aceitasse lhe substituir por um vazio inferior? Você consegue compreender isto? Eu também não entendo. Já buscamos juntos dar nomes aos bois: doença, masoquismo, falta de amor próprio, carência, ou quem sabe, com ainda mais propriedade, amor, o mais puro e raro amor, um evento único, que tem lá as suas muitas carrancas, mas que reserva para os momentos mais intensos, e para os amantes que persistem, sua face angelical.
 
Será que devo escolher realmente as palavras? Garimpá-las e lapidá-las até que se transformem num diamante que reflita o que sinto? Ou devo deixar esse amor em estado bruto, carvão? Sempre surpresa... Quero apenas incendiar, irradiar e ser consumido por esse fogo que carece de sentidos, mas que é fogo, e por si só, ilumina.
 
Eu não quero que você me compreenda, mas quero que você me sinta, como todas as vezes  tem sentido, quando os seus olhos, num episódio desconcertante, encontram o meu. Uma sabedoria silenciosa, uma epifania  que dissipa todas as dúvidas, as suas e as minhas, e que nos faz encontrar não razões, não justificativas, mas mistérios e milagres ausentes de palavras, mas repletos de verdade e afeto.

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