Hermes deu a Odisseu uma erva mágica que lhe serviu de antídoto contra os sortilégios de Circe. Deus nos deu o tempo, poderoso elixir contra as feridas da alma e do coração.
Eu pensei que não teria solução. Pensei que iria sangrar para sempre. Tinha uma ferida tão grande e tão profunda que cheguei a pensar que sangraria até a morte. O tempo me fez ver que não. Eu estava tão concentrado no meu sofrimento que me esqueci de notar que enquanto o meu corpo reagia e expulsava lentamente a febre, a dor e a loucura, ele curava a minha alma e me libertava de medos e angústias primitivas.
“É preciso sangrar até o fim. Deixar todo o sangue sair, ainda que se morra um tanto para viver uma nova vida.” A ferida está quase cicatrizada. Já não dói tanto quanto antes. Ou a dor se tornou infinitamente menor a ponto de eu me esquecer dela para começar a recordar de mim mesmo?

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