Não acredito mais em amores imbatíveis. Talvez porque eu O veja como a mais frágil das criaturas, tênue bolha de sabão. De um romântico contumaz a um dissimulado pragmático, talvez cínico, tenho visto a minha vida ser revirada por sentimentos nauseantes e pela imensa vontade de saltar da prancha.
Homem ao mar! Grita o meu coração. Baixaram as âncoras, jogaram as boias. Mas prefiro momentaneamente continuar à deriva. O que fazer quando o mar com toda a sua imensidão traiçoeira se torna de repente um porto mais seguro que a própria nau?
Eu tinha tanto medo Dele. Agora sou parte dele, instável, profundo, indomesticável.
Não acredito mais em amores imbatíveis. Não há embarcações sólidas o bastante para singrar incólumes dentro de certos corações. Passei por Cila, acabei por cair em Caríbdis.
Amar é estar sempre entre dois grandes perigos.
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