
O amor não é uma sabedoria. É antes de tudo uma forma de ignorância, uma cegueira. Mas paradoxalmente pode clarear a nossa visão, se a fase do desassossego, que sempre vem com ele, passar, inaugurando uma nova estação, pacífica e mais generosa.
Nem todos conseguem sobreviver a esta febre. Insegurança, ansiedade, ciúmes, distorções idealistas são apenas alguns dos sintomas que surgem com a chegada do amor. Algumas das suas muitas faces obscuras que encaramos, como ao rosto de Medusa, a ponto de nos mudarmos em pedra.
Inicialmente o acolhemos por considerá-lo um remédio, uma cura para todos os nossos males e problemas. Como se o amor fosse paliativo pra vida e para todos os seus obstáculos. Vemo-lo maior que o trabalho, o dinheiro, o sexo, o medo. Damos a ele uma importância máxima e o ocupamos com as nossas expectativas e esperanças como se ele pudesse nos dar tudo que desejamos.
O amor nada pode fazer. Cabe apenas a nós a realização dos nossos sonhos e planos. O que ele pode trazer é apenas a sensação de bem-estar, a felicidade gratuita de poder compartilhar um bem comum com outro alguém. O amor é uma brisa leve que refresca, sozinho não pode mudar a paisagem.
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