O Enigma do Espelho


O que reveste a minha poesia?
Seria uma capa de tristezas
ou um desejo mais que profundo
de amar e ser amado?

Uma ânsia violenta ou um desdém
por não ter encontrado abrigo,
por não ter recebido esmolas,
por não ter me alimentado de migalhas.

O que diz cada verso meu?
cada verso inverso de mim?
que sombriamente tinge a minha vida
com cores frias
que luminosamente acende estrelas
neste meu quarto-céu tão escuro.

Quem saberá dizer o que o meu coração diz?
Quem saberá interpretar cada ideograma
que ele desenha sem sentido em um papiro
qualquer da existência?

Minhas palavras são sempre vazias,
mas clamam por algo que as complete.
O meu coração está sempre cheio
e implora por alguém que o reparta ao meio.

Dizem tudo e não são nada.
São apenas reflexos de um espelho que não enxerga
a si mesmo.

0 comentários:

Postar um comentário