Um homem que estava muito cansado da vida resolveu caminhar mundo a fora à procura de algo que pudesse ser igual ou parecido com o paraíso. Depois de muito andar, encontrou uma escada que se estendia para o alto e conduzia às nuvens. Acreditando se tratar da oportunidade que ele tanto esperava, não hesitou um só instante, e começou a subir os degraus, ávido por alcançar o paraíso tão desejado.

A subida, no entanto, parecia interminável. A cada degrau galgado o tempo passava rapidamente e embora o homem, mergulhado na sua louca ambição de atingir os céus não percebesse, os seus membros envelheciam e o seu corpo oscilava com a idade. Chegou por fim e com muito custo próximo aos últimos lances da escada. Bem diante dele, extensas nuvens brancas emolduravam o céu e limitavam o espaço entre o seu mundo conhecido e o mundo ideal que ele havia sonhado para si. Apressou por atravessá-las imaginando que depois delas estaria a recompensa por todos os seus anos de sacrifício.
Subiu os últimos degraus e sentiu os seus braços estendidos dissiparem as nuvens. Os olhos se fecharam feridos, em contato com uma forte luz que vinha de cima e que ele pensou ser o esplendor do Éden. Ao abri-los outra vez, viu que se tratava da luz do sol que naquele azul intenso pareceu-lhe ainda mais forte e radiante. O paraíso que tanto almejara, não estava por sobre as nuvens como nos livros que ele costumara a ler. Tão somente o sol e o céu e os pássaros que voavam ao longo, em revoada.
Decepcionado, pensou começar o caminho de volta, mas as suas pernas fraquejaram. Estava velho demais para continuar. Sentou-se então em um dos degraus e ali ficou avistando de cima a terra, recordando de tudo aquilo que a vida havia lhe ofertado de belo e bom e que ele havia desprezado por não conseguir divisar entre as suas tristezas e sofrimentos, o outro quinhão menos pesado, tão leve quanto o verdadeiro paraíso não encontrado.
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