"Dolce è Sentire come nel mio cuore
ora umilemente sta nascendo: Amore...
Dolce capire che non son più solo
ma che son parte d'una imensa vita..."
Chico e eu somos velhos amigos. Confesso que ultimamente ando afastado. Por falta de tempo ou de juízo não o tenho procurado, mas acredito que isso não diminui a simpatia e o afeto que por ele sinto.
Nós nos conhecemos há muito anos. Meu avô falou-me dele. Da sua generosidade, da sua alegria para com o trabalho manual, do seu amor pelos animais e pelas pequenas criaturas. Não foi difícil gostar dele. Bem antes de tê-lo conhecido, apenas tê-lo sabido por palavras, já tinha me afeiçoado a ele como a um irmão.
Conheci-o pessoalmente, quando ainda eu era um menino. Devia ter no máximo uns oito anos. Uma cadela que tínhamos adoeceu. Cinomose. Doença sinistra, que matava em poucos dias, incurável. Dolorosamente, o animal minguava aos nossos olhos. Esvaia-se em sangue, perdia a carne, murchava feito flor mal cuidada. Minha mãe chorava todos os dias. Havia se habituado ao bicho. A pobrezinha nem latia. Amuada num canto soluçava, fazia força para beber a água que dávamos e o alimento que oferecíamos. Os dentes começaram a rillhar. Típico da doença. Sinal de que a morte se aproximava.
Depois de muita insistência, meu pai levou-a novamente ao Veterinário, que muito a contragosto, receitou alguns medicamentos. Mas aconselhou que o melhor a fazer naquele instante era aplicar-lhe uma injeção letal. Assim, o bicho não sofreria mais. Minha mãe não gostou da ideia. Era terminantemente contra. Se tivesse que morrer morreria de forma natural. Tinha ainda esperanças. Começou então uma romaria. Remédio na hora certa, água e alimento na boca, cuidados com a limpeza, carinhos e mais carinhos. Naquele momento, passei precocemente a viver muito próximo do sofrimento alheio. Eu, que apenas tinha o visto pela janela, o escutado através de rumores, tive meu primeiro contato com que sabemos doença, com que sabemos fragilidade da vida.
Lembrei de Chico; meu avó chamava-o de amigo dos animais. Enquanto minha mãe se apegava de um lado a Roque, eu tomei a mão de Chico, apertei a minha a dele, e fiz uma oração, a oração mais pura e mais sincera que já fiz na vida.
O que costumamos chamar de milagre representa uma dádiva, algo incompreendido, uma luz que se acende quando já imaginamos, em todas nossas frágeis certezas, que algo está perdido. Pois o milagre aconteceu. Não sei se graças às minhas orações, ou às orações de minha mãe. Acredito que tenha sido os dois. E os cuidados também. A cachorra sobreviveu e ficou com a gente por ainda mais doze anos.
Francisco passou a ser mais frequente na minha vida. A ele dediquei um lugar especial no meu coração. Na adolescência quis ser como ele. Quis imitá-lo na sua imitação sincera da vida de Cristo. Nunca conheci outro que tivesse tido uma vida tão próxima do Mestre. Movido pelo idealismo da juventude, quis abrir as janelas e lançar tudo o que eu tinha fora, livrar-me de todas as amarras que me atavam ao mundo. Foi aí que conheci um Francisco mais humano que me ensinou a estar mais próximo da natureza, que me fez enxergar nas pequenas coisas, nas pequenas criaturas também um sinal grandioso de Deus.
Senti-me tocado por uma imensa vontade de seguir os seus caminhos. Mas com o tempo, a fé me fez perceber, que eu bem podia santificar a minha vida, sem precisar mortificá-la. Francisco restituiu-me a vida generosamente, e intercedeu em mais um milagre, agora, dentro de mim.
Inúmeras vezes, ele voltou a cruzar o meu caminho. Formatura, comunhão, aniversário, faculdade. Sempre esteve presente. Segurando as minhas mãos nos momentos difíceis, me ensinando a ter mais fé e esperança na vida e também nos homens.
Um amigo que sempre foi um modelo a ser seguido, capaz de reacender no caminho dos homens os passos de Jesus, sem pedir nada em troca.
A este querido amigo, eu confiei o meu coração para que ele se mantenha ao menos livre da mesquinharia e da arrogância humanas. Chico me ensinou a ser mais generoso, a ser mais humano, amando o mundo que Deus nos deu e o respeitando por este ser também uma benção do Criador.
Conheci-o pessoalmente, quando ainda eu era um menino. Devia ter no máximo uns oito anos. Uma cadela que tínhamos adoeceu. Cinomose. Doença sinistra, que matava em poucos dias, incurável. Dolorosamente, o animal minguava aos nossos olhos. Esvaia-se em sangue, perdia a carne, murchava feito flor mal cuidada. Minha mãe chorava todos os dias. Havia se habituado ao bicho. A pobrezinha nem latia. Amuada num canto soluçava, fazia força para beber a água que dávamos e o alimento que oferecíamos. Os dentes começaram a rillhar. Típico da doença. Sinal de que a morte se aproximava.
Depois de muita insistência, meu pai levou-a novamente ao Veterinário, que muito a contragosto, receitou alguns medicamentos. Mas aconselhou que o melhor a fazer naquele instante era aplicar-lhe uma injeção letal. Assim, o bicho não sofreria mais. Minha mãe não gostou da ideia. Era terminantemente contra. Se tivesse que morrer morreria de forma natural. Tinha ainda esperanças. Começou então uma romaria. Remédio na hora certa, água e alimento na boca, cuidados com a limpeza, carinhos e mais carinhos. Naquele momento, passei precocemente a viver muito próximo do sofrimento alheio. Eu, que apenas tinha o visto pela janela, o escutado através de rumores, tive meu primeiro contato com que sabemos doença, com que sabemos fragilidade da vida.
Lembrei de Chico; meu avó chamava-o de amigo dos animais. Enquanto minha mãe se apegava de um lado a Roque, eu tomei a mão de Chico, apertei a minha a dele, e fiz uma oração, a oração mais pura e mais sincera que já fiz na vida.
O que costumamos chamar de milagre representa uma dádiva, algo incompreendido, uma luz que se acende quando já imaginamos, em todas nossas frágeis certezas, que algo está perdido. Pois o milagre aconteceu. Não sei se graças às minhas orações, ou às orações de minha mãe. Acredito que tenha sido os dois. E os cuidados também. A cachorra sobreviveu e ficou com a gente por ainda mais doze anos.
Francisco passou a ser mais frequente na minha vida. A ele dediquei um lugar especial no meu coração. Na adolescência quis ser como ele. Quis imitá-lo na sua imitação sincera da vida de Cristo. Nunca conheci outro que tivesse tido uma vida tão próxima do Mestre. Movido pelo idealismo da juventude, quis abrir as janelas e lançar tudo o que eu tinha fora, livrar-me de todas as amarras que me atavam ao mundo. Foi aí que conheci um Francisco mais humano que me ensinou a estar mais próximo da natureza, que me fez enxergar nas pequenas coisas, nas pequenas criaturas também um sinal grandioso de Deus.
Senti-me tocado por uma imensa vontade de seguir os seus caminhos. Mas com o tempo, a fé me fez perceber, que eu bem podia santificar a minha vida, sem precisar mortificá-la. Francisco restituiu-me a vida generosamente, e intercedeu em mais um milagre, agora, dentro de mim.
Inúmeras vezes, ele voltou a cruzar o meu caminho. Formatura, comunhão, aniversário, faculdade. Sempre esteve presente. Segurando as minhas mãos nos momentos difíceis, me ensinando a ter mais fé e esperança na vida e também nos homens.
Um amigo que sempre foi um modelo a ser seguido, capaz de reacender no caminho dos homens os passos de Jesus, sem pedir nada em troca.
A este querido amigo, eu confiei o meu coração para que ele se mantenha ao menos livre da mesquinharia e da arrogância humanas. Chico me ensinou a ser mais generoso, a ser mais humano, amando o mundo que Deus nos deu e o respeitando por este ser também uma benção do Criador.

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